segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

REENCONTRO ARTÍSTICO

Décadas depois de vê-la dançar em Porto Alegre, tive a felicidade de ver novamente no palco Sílvia Wolff com seu espetáculo solo Pena no dia 05 de novembro. A apresentação fez parte da segunda edição do edital Atos e Cenas promovido pelo Instituto de Artes Cênicas do Rio Grande do Sul, em parceria com a Fundação Teatro São Pedro e o Sesc RS, e que ocupou semanalmente o Teatro Oficina Olga Reverbel nas noites de quarta-feira entre os meses de julho e dezembro de 2025.

Foi uma grata surpresa ver Sílvia nesta proposta tão diferente da imagem que eu tinha dela de bailarina clássica, com sapatilhas, tutu e no papel de fada ou princesa, seres que tão comumente habitam os ballets de repertório. Em Pena, Sílvia traz pra cena um corpo que se recusou a ser escondido, apagado ou impedido de dançar. O espetáculo é bastante emocionante pra quem conhece a trajetóia desta artista que sofreu um AVC aos 34 anos e ficou com restrições de movimentos. Pena fala sobre isso, sobre este corpo e as formas que ele encontrou para seguir dançando. Sílvia segue sendo uma bailarina capaz de prender a atenção do público. Sozinha no palco por uma hora, ela transita entre momentos de raiva, de sexualidade, de interação com o público, de risos, de obssessão e de contemplação. O que não vemos em cena é autocomiseração.

Silvia reinvindica sua trajetória como bailarina clássica ao mesmo tempo que reposiciona seu corpo na cena, fazendo uma dança mais térrea, com mais contato com o solo em comparação ao balé clássico. Aliás, a disposição do público na sala dificultou a visibilidade das pessoas que estavam sentadas nas filas mais atrás na plateia. As duas fileiras de cadeiras ao nível do solo acabaram deixando as pessoas sentadas nestas fileiras na mesma altura ou até mais altas do que Silvia quando esta se encontrava sentada ou deitada no chão. Entendi que o caráter intimista da proposta pede que o público esteja bem próximo à intérprete, mas metade da plateia acabou assistindo a obra de pé, já que não tinha como ver toda a cena sentados na terceira ou quarta fileiras da plateia. 

Além da dificldade para visualizar alguns momentos da intérprete em cena, Pena tem uma dramartugia um pouco truncada em alguns momentos. Por duas ou três vezes um tema ou uma ação ressurgem sem agregar algum elemento realmente novo a cena, quase como se uma palavra fosse pronunciada sem contexto num diálogo para completar uma frase já concluída e depois de outras duas ou três frases já terem sido ditas entre a palavra solta e a frase em que ela deveria estar inserida. Aquela palavra fica solta, fora de contexto, parece que volta a um assunto que já não é o que está sendo falado no novo momento. Se fosse eu na direção do trabalho, talvez tentaria adicionar a palavra no momento, nesta analogia construída aqui, em que a primeira frase era dita. Acho que seria mais interessante esgotar o assunto antes de começar outro ou, se fosse pra retomar algum assunto, trazer algum novo aporte ao texto nesta retomada. 

Ao mesmo tempo, esse vai e volta em momentos e situações pode refletir essa trajetória de reencontro com a dança que, com certeza, Sílvia percorreu nos últimos anos. Ela desenvolveu novas técnicas ou habilidades e todos que trabalham com o corpo sabem que este processo de construção corporal não é algo linear e sempre crescente. A dança, a técnica, as habilidades corporais e expressivas vão se configurando numa caminhada cheia de avanços, pausas e, por vezes, retrocessos. Olhando por este lado, pode ser que a dramaturgia que ia e voltava em certas imagens ou ações quizesse fazer alusão a esta trajetória de um corpo que se reconstrói enquanto corpo dançante. 

Por falar em revisitar ou aludir, a trilha sonora composta por Daniel Wolff traz releituras impactantes e bem realizadas de trechos famosos de O Lago dos Cisnes, de Tchaikovsky. A trilha auxilia a dramaturgia que, a todo tempo, relembra os tempos de bailarina clássica, mas expõe a nova realidade desse corpo de uma mulher com deficiência que recriou sua dança e que reivindica sua possibilidade de dançar. Um novo corpo, que não é simétrico, porque não pode sê-lo, mas que segue belo, potente e capaz de emocionar, chocar, desconfortar e comunicar com o público. Um corpo que segue em cena, quebrando expectativas e construindo sua dança.


Ficha Técnica Pena

Bailarina Intérprete-criadora: Silvia Wolff
Direção: Flávio Campos
Produção: Lucca Adams Pilla
Assessoria de imprensa: Roberta Amaral
Cenografia e figurinos: Flávio Campos e Sílvia Wolff
Trilha sonora original: Daniel Wolff
Trilha sonora adicional: Peter Ilich Tchaikovsky, Ole Torkeisen
Iluminação: Raquel Guerra
Sonoplastia: Walcker Martini
Assistente de produção: Gabrielly Neumann
Design gráfico: Pedro Henrique Azevedo

domingo, 21 de dezembro de 2025

A CRISE CLIMÁTICA E A LONGEVIDADE DA DANÇA EM PORTO ALEGRE

De Gelo, da Eduardo Severino Cia de Dança, celebra os 25 anos de existência da companhia que tem histórico de trabalhos relacionados ao tema do meio ambiente, como  Planetário, de 2000; Lixo, Lixo, Severino, de 2002; Ykúà, o silenciador de um rio, de 2006; Tempestade, de 2009; Linha de convergência, de 2010 e Manchas Urbanas, de 2014. Ecos de algumas destas propostas aparecem no mais recente trabalho da companhia.

De Gelo começa no saguão do Teatro do Centro Cultural da Santa Casa onde jovens bailarinos do Espaço N caminham pelo espaço em fila com mudas de plantas nas mãos. Quando eles entram para o teatro, Eduardo Severino aparece e cochicha uma frase no ouvido de uma pessoa da platéia, que estava, naquele dia, recheada por outros nomes da dança de Porto Alegre. A frase vai se espalhando pelo público, passando de orelha em orelha, no famoso "telefone sem fio". É algo sobre o ponto de não retorno, mas não lembro exatamente da sentença (já faz alguns meses que tudo isso aconteceu). O tal ponto está próximo, avisam os cientistas, e o nome já explica tudo que precisamos saber sobre esta ameaça à vida como conhecemos neste planeta.

Em cena, uma enorme pedra de gelo derrete num lado do palco enquanto vemos as paredes, portas, escadarias, pernas, rotundas e outros urdimentos e tudo aquilo que geralmente fica atrás das cortinas dos teatros. O palco revelado era como um local onde a neve e o gelo deixaram de existir: pedras, troncos mortos, lama, tudo revelado e aparentemente fora do lugar. Mesmo entendendo o que esse plano de fundo poderia significar para a proposta cênica e vendo que os artistas utilizavam a escada que tem no centro e no fundo do palco para entrar e sair de cena, acho que alguns momentos mais delicados da iluminação perderam um pouco de desenho na cena aberta. A projeção também perdeu resolução. O pinguim projetado na porta de um camarim ficou visível, triste e poético ao memso temppo. Um pinguim perdido, fora do seu lugar, sem habitat. Os ursos polares, contudo, tiveram a visualização prejudicada e não surtiram o mesmo efeito narrativo.

Apesar dessa diferença quanto às escolhas de cenário e projeção, foi interessante ver a mistura de jovens bailarinos com um intérprete maduro, com consolidada carreira na cidade. Ver corpos mais jovens executando movimentos que já vimos outras vezes no corpo de Eduardo Severino, é a celebração de uma trajetória e a continuidade dos processos criativos das companhias independentes na cidade. Severino segue sendo uma figura imponente em cena, que transita entre movimentos fluídos e cenas grotescas. Um bailarino técnico e ao mesmo tempo expressivo que desenvolveu uma linguagem própria que, em De Gelo, pudemos ver compartilhada por um grupo de jovens bailarinos, algo não usual para a companhia que costuma trabalhar com elencos de duas ou três pessoas.

O bate-papo que seguiu ao espetáculo foi um misto de elogios a estas características artísticas com um tanto de negacionismo climático e até de gente que acredita no fim do mundo, mas é incapaz de crer na superação do sistema que acelerou os processos de degradação humana e ambiental: o capitalismo. Chega a ser meio desesperador sair de uma obra que fala sobre a crise que já vivemos e ver que tem gente na platéia que ainda duvida das ações que são necessárias para evitar as piores consequências das escolhas que nos trouxeram para o quase ponto do não-retorno. Infelizmente, a arte não é capaz de, sozinha, transformar o mundo. Não nos resta, contudo, outra alternativa, a não ser seguir tentando.


Ficha Técnica De Gelo

Direção: Eduardo Severino
Direção artística: Driko Oliveira
Intérprete-criador: Eduardo Severino
Elenco de apoio: Aléxia Chaves, Andi Goldenberg, Camila Wood, Luciana Bazanella, Luciano Benett, Du Pascal, Rafael Sky e Tami Melegari
Produção: Luka Ibarra / Lucida Desenvolvimento Cultural
Iluminação: Driko Oliveira
Trilha sonora e edição de vídeo: Sustain Produção
Fotografias: Nando Espinosa
Assessoria de Imprensa: Roberta Amaral

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

FLORES, UMA MÃE E QUESTÕES SOBRE A ESCRITA

Este texto nasce depois de uma série de fotos que tirei no sítio da família num domingo de muito calor no Rio Grande do Sul. Ao pensar na legenda das imagens para uma postagem em uma rede social, o texto começou a ficar muito longo, pois vários parênteses foram abertos a partir daquilo que pensei em escrever.

Ir ao sítio da família me traz muitas recordações. São muitos anos de lembranças. Desde 2019, contudo, quando minha mãe faleceu, toda ida é também um momento de reflexão e, por vezes, de tristeza. Contemplar as flores que ela plantou naquele local que amava tanto ou ver que a vida segue seu curso, com tudo que isso significa, é um fardo emocional cada vez mais pesado. Eu sei que minha mãe mora naquele lugar. Ela está presente por todos os lados. E foi porque comecei a pensar nela que fui viajando nos pensamentos e conectando coisas que, em princípio, não estariam conectadas. Lembrei dos tempos da faculdade de jornalismo e de quando comcei a escrever uma coluna de crõnicas num site, que se chamava Capital Gaúcha, onde trabalhava lá no iníciio dos anos 2000. Minha mãe achava que eu seria apresentadora do Jornal Nacional. Tem mães que sonham mais alto que os próprios filhos. Voltando à história, quando saí do site e comecei a me dedicar novamente exclusivamente à dança, este blog surgiu. Eu tinha a vontade de seguir escrevendo. Escrevi crônicas, tentei fazer uma espécie de agenda de eventos flamencos e escrevi algumas críticas de espetáculos. Um tema que planejei estudar quando fiz Tecnologia em Dança na Ulbra, porém não desenvolvi o projeto. Por um tempo, consegui manter este local mais ativo, mas depois os blogs perderam espaço para as redes sociais e parei de publicar textos por aqui.

Ano passado, contudo, uma oficina de crítica em dança me fez retomar este espaço. Ainda estou destreinada na escrita. Ando lendo menos, lidando menos com as palavras, os 40+ também não estão ajudando muito na memória, os cuidados com meu pai se intensificaram no último ano, a rotina de trabalhos, codições de saúde e tudo mais que faz parte da rotina de uma mulher trabalhadora nesta nossa sociedade não permitem um fluxo muito constante de escrita. Neste exato momento, tennho dois textos começados que não consigo concluir e ainda faltam as criticas sobre outros 3 espetáculos que assisti e sobre os quais ainda nem consegui começar a escrever. A rotina anda muito pesada, contudo, e o tempo tem sido muito, muito escasso mesmo. Admiro quem consegue ser multitarefas. Eu tentei, mas acho que atingi um limite na escala bombril de utilidades. Creio que pegar no sono enquanto digita algo no teclado é sinal suficiente de cansaço. E também é importante refletir sobre a quantidade de coisas que produzimos. Estamos cada vez mais sobrecarregadas. Aliás, as mulheres estão sempre carregando mais peso do que deveriam. Cresci vendo minha mãe cuidar da família toda e trabalhar três turnos. Como ela aguentou tantos anos? Não é à toa que acabou com uma doença pulmonar estranha. 

De volta à oficina, falamos sobre os diversos tipos de críticas. De fato, não há uma só forma de escrever. Os textos podem ser mais artísticos, mais descritivos, mas reflexivos. Um espetáculo pode gerar um poema, uma crônica. Não invalido as diferentes formas de expressão literária. Eu sou, contudo, esta pessoa que escreve em primeira pessoa, que dá a opinão, que acha que temos que escrever sobre todos os espetáculos que assistimos, principalmente se ganhamos cortesias. É cômodo escrever somente sobre aquilo que nos toca, nos sensibiliza, com aquilo que conseguimos nos relacionar. Eu tenho tentado encontrar possibilidades para a escrita. Há sempre uma relação possível. Se ela vai ser interessante para os outros, aí já é outra história. Eu entendo que é difícil dar a opinião verdadeira em Porto Algere. Na Província de Sâo Pedro, as pessoas tendem a personalizar as críticas e a criar inimizades. É óbvio que também acho que não existe mais lugar para aqueles textos que simplesmente destróem com o trabalho dos outros, mas apontar falhas ou diferenças de ponto de vista, de escolhas, não precisa ser algo ofensivo. Creio que a crítica faz parte do cenário da arte. É interessante, eu diria, necessário, ouvir, ler, descobrir como nosso trabalho é recebido. Isso faz toda a cena amadurecer, nos faz repensar processos ou negritar opções feitas. 

Consegui escrever e aí surge um outro problema; jogo meus textos aqui e não aviso pra ninguém. Não mando o link pras pessoas lerem, no máximo faço um story de Instagram com o link e digo timidamente que existe um blog e que nele estão reflexões sobre arte. Nem eu estou convencida de que algo aqui seja digno de nota. Quem vai procurar num Google da vida o que a Graziela Silveira acha sobre determinado trabalho artístico? Por mais que eu já esteja atuando profissionalmente em Porto Alegre há 20 anos, as pessoas ainda não desenvolveram o dom da adivinhação. E algumas podem até me conhecer, mas não estão interessadas no que eu penso sobre coisa alguma. Fora isso, eu escrevo no meu próprio dinossáuríco blog. Não publico meus textos em meios de comunicação, aliás, nem aproveitei a oportunidade que surgiu para pleitear vaga como colunista em meios da dança, pois acreditava que essa vida jornalística estava longe da minha realidade. A pandemia me jogou de volta pra o jornalismo e ainda estou tentando abrir espaço pra a escrita na agenda. 

Enfim, estou aqui escrevendo devaneios surgidos de momentos de calor num sítio. Eu só estava fotografando flores e de repente me peguei pensando e depois escrevendo sobre crítica de dança e sobre minha relação com a escrita num mundo em que as pessoas não leem mais de 5 linhas nas redes sociais. Acho que é só saudade de ter uma mãe torcendo por mim e desejando me ver na maior rede de televisão do Brasil. De uma certa forma, manter este espaço ativo é realizar um pouco estes desejos maternos. A tentativa agora é deixar neste ano o que é dele, ou seja, terminar todos os textos começados e aqueles que ainda estão só em pensamento. É preciso abrir espaço para a vida que vem com 2026.

domingo, 19 de outubro de 2025

PROVOCAÇÕES TRAZIDAS POR UM BURITO

Se não fosse a indicação vinda de um grupo de pessoas interessadas em desenvolver olhares e textos sobre dança e outras artes em Porto Alegre, Un burrito que me lleve não teria entrado em minha lista de trabalhos a serem vistos. O título do trabalho já indicava que seria uma proposta mais experimental com as quais não costumo conseguir estabelecer conexões.

Cheguei à Sala Álvaro Moreyra, no Centro Municipal de Cultura, sem ler a sinopse ou mais informações sobre o espetáculo, como costumo fazer, para não criar expectativas ou pré-conceitos sobre o que iria assistir. Na bilheteria, recebemos o ingresso e uma rosa vermelha. Ela obviamente faz parte da proposta. Comecei a temer se tratar de uma proposta bastante interativa, coisa que realmente não gosto, mas meu temor não se conretizou. Não sei se é porque sou artista da cena também, mas prefiro ficar quietinha na platéia apenas assistindo aos trabalhos, sem participar da cena. A plateia estava distribuída no formato arena, com uma fila de cadeiras no fundo do espaço cênico e nas laterais e mais duas no espaço geralmente destinado ao público. Como havia muitas pessoas para assistir ao trabalho apesar do domingo frio e úmido na capital gaúcha, mais uma fila de cadeiras teve que ser criada neste espaço de plateia para que ninguém ficasse de fora. É gratificante ver um bom público para assistir um trabalho experimental na cidade. Sinal de que há espaços para os diferentes grupos locais na cena portoalegrense.

Voltando ao Burrito do Coletivo Grupelho, em cena, corpos estavam jogados pelo chão ao lado de grandes bonecos de pano. A luz era baixa e demorei quase a cena toda para perceber que era uma das intérpretes deitadas no chão que tocava um trompete de quando em quando, compondo a trilha deste momento junto com um fundo gravado. Todas as ações da peça demoravam mais tempo do que eu gostaria e talvez ou muito provavelmente esse seja um desconforto idealizado pelo coletivo. A monotonia também era uma presença forte, talvez em contraponto com este mundo tão cheio de informações, imagens, cores e etc. Geralmente faz parte de propostas mais experimentais causar reações nem sempre agradáveis na platéia. Há ainda a possibilidade de ser mais uma das minhas implicâncias nesta vida e é bom mantermos isso em mente.

Tensão, cuidado, observação, movimentos metódicos, organização, tudo isso estava presente na cena em que uma intérprete levantou do meio da platéia e começou calmamente a mover os bonecos e corpos humanos, separando-os em dois grupos. Os bonecos foram colocados um sobre os outros num canto da cena, enquanto os corpos humanos foram deixados em grupo no outro lado. Ela acabou deitando-se junto com os corpos humanos. Os seres animados ergueram-se graças ao contrapeso, ao auxílio mútuo, à coletividade. Em pouco tempo estavam todos fazendo movimenos repetitivos em conjunto. Aliás, achei que poderiam haver mais variações nas repetições, mas, de novo, acho que a proposta do grupo era mesmo construir momentos longos com a mesma informação gestual e de significado sendo repetida.

Depois de uma longa e extenuante dança, uma intérprete cai ao chão, a luz apaga, quando retorna, um boneco está sobre a moça caída, olhando-a. Aí começou a cena que me causou mais tensão, na qual os intérreptes arrastavam a mulher desfalecida pelo espaço disputando-a com o boneco que agora ganhara vida e requistiva a posse sobre ela. De todo jeito, a cena da mulher sendo carregada pelo palco me deixou bem apreensiva. Fora o fato dos humanos estarem disputando aquele corpo com o boneco que ganhara vida, lembrei de uma experiência que eu vivenciei enquanto intérprete. No espetáculo Bondage, de Douglas Jung, cujo ano de realização não me recordo, fiquei totalmente amarrada sendo manipulada por outra bailarina em uma das cenas. É muito difícil se entregar e confiar que os colegas não vão te machucar. A cena do Grupelho me fez recordar este outro momento e, de certa forma, perder a conexão com a cena que transcorria na frente dos meus olhos. É mais complicado focar no simbólico de uma cena quando também sabemos toda a dificildade técnica que as ações que presenciamos exigem ou quando elas nos levam, por meio da memória, a viajar para outros lugares e momentos. 

Somente depois de alguns dias, conversando com outra amiga que também assistiu a Un burrito que me lleve, chegamos à conclusão de que este boneco que apareceu de forma súbita poderia representar a morte. Aliás, foi somente nesta conversa que "entendi" que o espetáculo falava sobre esses pequenos ou grandes rituais que nos acompanham no dia a dia (se eu tivesse lido a sinopse sabeira disso), como estar em grupo, comer, nos despedir de entes queridos, dançar, entre outros. A morte estava obviamente presente no espetáculo. A saída da sala puxada pelos intérpretes e acompanhada pelo público como num cortejo fúnebre e a cena final, que ocorreu na área externa em frente ao Centro Municipal de Cultura, são carregadas de simbologias deste momento de morte e/ou de despedidas. Os outros pequenos rituais, no entando, não ficaram nítidos para mim enquato assistia ao trabalho. 

Saí do teatro meio incomodada, mas ao mesmo tempo sabendo que eu vira examente o que achava que iria ver, um trabalho com linguagem mais experimental, pesquisado e bem realizado, que levou um bom público à asistência e que, com certeza, conseguiu se comunicar com muitas das pessoas na plateia. Infelizmente, não fui uma delas, mas isso é mais coisa minha do que do trabalho.


Ficha Técnica Un Burrito que me lleve

Direção geral: Bruno Cunha
Intérpretes-criadores: Alexsander Vidaleti, Bruno Cunha, Li Pereira, Marlah Pritsch, Maria Eduarda Nectoux, Romi Na Ibis e Nazú Ramos
Co Direção: Tuli Serpa
Desenho de luz: João Fraga, Daniel Fetter e Tuli Serpa
Trilha sonora original e cenografia: Bruno Cunha
Técnica de som: Sofia Vidor
Identidade visual: Nicole Rizzo
Fotos: Jonatan Tavares e Liege Ferreira
Registro audiovisual: Fábio Spoltti
Realização: Grupo Grupelho

domingo, 13 de julho de 2025

MUITO PRAZER, JUREMA

No dia 7 de julho, conheci Jurema Finamour, uma jornalista e escritora brasileira que foi praticamente apagada da história contada pelos homens. Conheci Jurema por meio do espetáculo A mulher que virou bode: a história perdida de Jurema Finamour, do grupo Rakurs Teatro. O trabalho, misto de teatro, dança, documentário e música, é inspirado no livro Jurema Finamour, a jornalista silenciada, da também jornalista Christa Berger.

Trazer à luz a trajetória de Jurema Finamour é certamente a maior realização da obra do grupo Rakurs. Como é importante esse resgate histórico de mulheres e seus feitos. É como se vencêssemos o patriarcado e aqueles que tentaram destruir nossas obras, vidas, ousadias, invenções, pensamentos, existências. Jurema teve uma trajetória absolutamente caótica e não aceitou ser enquadrada seja num relacionamento, num partido político, num modo de viver. A jornalista paulista foi presa pela ditadura, conheceu e conviveu com Pablo Neruda, Leonel Brizola, Getúlio Vargas e outros grandes nomes da nossa história, foi editora de uma revista para o público feminino e autora de livros, mas, se não fosse o espetáculo de nome sugestivo, que aliás é o título do último livro de Finamour, jamais teria ouvido falar sobre ela e seus feitos. Além disso, foi emocionante entrar novamente no Teatro Renascença após as enchentes de 2024. Ver a sala restaurada e em funcionamento, devolvida aos artistas e público, é outro alento numa Porto Alegre cada vez mais hostil à ocupação dos espaços públicos pela população. Lamentei, contudo, o fato da platéia agora ter um corredor central. Infelizmente, os melhores assentos da sala, tornaram-se degraus. 

Voltando ao trabalho artístico, a parte técnica foi muito bem executada. Luz, som, cenário, figurino, tudo funcionando com perfeição e contribuindo para as bonitas cenas apresentadas. Como artista, fico sempre bem impressionada quando a técnica acontece com perfeição, já que, em geral, temos menos tempo de ensaio do que gostaríamos antes de colocar as propostas em cena e menos recursos, sejam financeiros ou estruturais, do que julgamos ideal para desenvolver os trabalhos na magnitude que prospectamos. Em A Mulher que virou bode, contudo, a técnica talvez seja perfeita demais e torne o espetáculo meio asséptico, um tanto distante. Uma história de vida tão vibrante quanto a de Jurema, não chega a nos cativar quando colocada em cena a não ser em alguns momentos mais poéticos em que as muitas informações não são ditas de maneira tão declarada ou explicativa.

Indo pras minhas implicâncias úteis para os outros ou não, tenho ressalvas com o uso de microfones pelas atrizes numa sala pequena como o Renascença. Entendo a questão do canto se sobressair sobre a trilha gravada, mas nesta sala em especial não sei se eram necessários. Para o bem ou para o mal, os microfones acabam virando uma interface que intermedia o contato. Ouvimos a atriz através de algo e não mais pelo contato direto da voz com nosso aparelho auditivo. Outra nota pessoal, é que, embora gostasse muito de musicais quando mais jovem, estou num momento da vida em que o gênero parece também me incomodar um pouco. Não sei se é de fato uma constatação de uma nova maneia de ver as coisas ou se a escolha desta forma de narrativa pelo grupo realmente me incomoda para esta obra. Será que os trechos musicais ou de documentário não poderiam estar presentes no palco de outras maneiras? É bem possível que eu tivesse feito outras escolhas à frente desta proposta, mas não estou, então, na dúvida, deixo este meu incômodo para que outras pessoas possam refletir sobre se assim desejarem.

Voltando ao que interessa, as máscaras, a cabeça de bode com pele, as cenas poéticas ou non sense, o senso de humor, as mudanças de cenário, tudo contribuiu para o bom andamento do trabalho, que poderia ter resultado em algo muito confuso por agregar tantos elementos (dança, canções, textos em primeira pessoa, depoimentos em vídeo, máscaras, elementos cênicos, informações precisas, etc), mas cuja dramaturgia e direção conseguem fazer com que as peças se encaixem num todo harmônico e que não fica cansativo, embora seja uma obra com caráter bastante didático e informativo. Conforme a própria Christa no bate-papo após a apresentação da obra, algumas informações e datas eram muito importantes na sua visão e foi um pedido dela o fato de eles fazerem parte do texto da peça de alguma maneira. Aqui, volto às minhas dúvidas, será que todas estas camadas de informação eram necessárias? Acho que tem coisas que só quando vemos o trabalho em cena nos damos conta. Enfim, escolhas e processos. Quem trabalha com arte sabe que eles são vários e quase nunca estão totalmente encerrados quando estreamos uma nova proposta.

Importante ressaltar também que o elenco é todo feminino. Aliás, Luiza Waichel, além do êxito na dramaturgia de A mulher que virou bode: a história perdida de Jurema Finamour ao lado de Marcelo Bulgarelli, demonstra ser uma atriz sensível, que trabalha bem o texto e suas entonações. Vozes bonitas, atrizes bem ensaiadas e potentes, dão vida de forma exitosa à Jurema e sua história apagada. É bonito ver mulheres resgatando outras mulheres do esquecimento. A sensação é de que as frases das redes sociais como "Nenhuma e menos", "Ninguém solta a mão de ninguém", "Somos resistência", "Tentaram nos enterrar, mas não sabiam que éramos sementes", "Somos as netas das bruxas que vocês não conseguiram queimar" e tantas outras viram realidade. Que mais mulheres emprestem seus corpos para a redescoberta de tantas outras mulheres invisibilizadas por uma estrutura que insiste em tentar nos diminuir, oprimir e apagar. Resgatar estas mulheres é fazer justiça histórica e celebrar suas conquistas e existências.


Ficha Ténica A mulher que virou bode: a história perdida de Jurema Finamour

Direção e concepção: Marcelo Bulgarelli
Elenco: Deliane Souza, Eulália Figueiredo, Iandra Cattani, Luiza Waichel e Sophia Lovison
Canções e trilha sonora original: Antônio Villeroy
Dramaturgia: Luiza Waichel e Marcelo Bulgarelli
Textos: Christa Berger, Luiza Waichel e Jurema Finamour
Assistente de direção: Cláudia Sachs
Preparação musical e música "Trem Instrumental": Simone Rasslan
Arranjos vocais: Simone Rasslan e elenco
Assistência coreográfica: Carlota Albuquerque
Cenografia: Maíra Coelho
Assistente de Cenografia: Denise Ayres
Criação e produção de objetos: Denise Ayres e Maíra Coelho
Figurinos: Maíra Coelho e Rafael Silva
Máscaras: Fábio Cuelli
Formação de Máscaras: Cláudia Sachs e Fábio Cuelli
Iluminação: Nara Lúcia Maia
Operação de som e vídeo: Cássio Azeredo
Audiovisual: Voltaire Barbieri
Assessoria biográfica de Jurema Finamour: Christa Berger
Depoimentos: Christa Berger e Maria Helena Correa Pires
Maquiagem: Juliana Senna
Arte gráfica: Agência Gaboo
Fotos: Gilberto Perin
Tradutora e intérprete de libras: Simone Dornelles
Expografia: Karine Bulgarelli
Assessoria de imprensa: Flávia Cunha
Produção executiva: Lucimaura Rodrigues
Direção de produção: Marcelo Bulgarelli

domingo, 15 de junho de 2025

DIVERSIDADE NA DANÇA E NA VIDA

Nos últimos meses assisti dois espetáculos diferentes entre si, mas que, de formas também distintas, fizeram refletir sobre a acessibilidade comunicacional e sobre a diversidade de corpos na cena e na vida, ou a falta dela.

Em "Uma mulher vestida de sol", do Grupo Grial de Dança, de Pernambuco, que fez parte da programação de inauguração do Teatro Simões Lopes Neto, no Multipalco do Theatro São Pedro em Porto Alegre, a diversidade estava na cena, já que uma das intérpretes da  obra é uma pessoa com deficiência visual. Na verdade, demorei para perceber essa qualidade da intérprete. Só fui notar na terceira cena do espetáculo,  quando ela caminha dentro do círculo formado pelas peles de animais e outros elementos colocados ao redor da cena. Achara estranho que os bailarinos batiam no chão com um cajado muito perto dela numa cena anterior, mas depois percebi que eram deixas sonoras e corporais que os colegas passavam pra ela para que a artista iniciasse uma ação. Foi muito interessante ver como o grupo desenvolveu estas estratégias corporais e sonoras para incluir e dar autonomia para a "artista def" na cena. O interessante da proposta é exatamente mostrar que o fazer coletivo, a criação conjunta entre artista com e sem deficiência, ou seja, entre o grupo heterogêneo, pode produzir espetáculos plurais em que a diversidade não é o foco, mas está mostrada ali, como um espelho da realidade em que vivemos, onde convivem ou deveriam conviver pessoas com suas diferentes corporalidades.

Já em "Vocabulário Flamenco", de Juliana Prestes e Mimi Aragón, os recursos de acessibilidade comunicacional faziam parte da cena. Tradução em libras, legendas, narração e audiodescrição foram pensadas artisticamente nesta proposta ainda em construção, conforme as próprias idealizadoras. Não sou uma espectadora isenta desta mostra de processo, primeiro por se tratar de uma obra de flamenco, linguagem que participa da minha vida há  mais de 20 anos, segundo porque são meu marido, comadre e amigas em cena. Tendo em vista que tenho um lado bem determinado nesta observação e que este texto pretende focar na acessibilidade e diversidade na cena, focarei minha análise neste último ponto. A proposta colocou os recursos de acessibilidade como protagonistas da cena. É comum vermos a intérprete de libras no palco, mas em geral não ouvimos a audiodescrição e nem vemos a audiodescritora ou narrador, fato que ocorre em Vocabulário Flamenco. A proposta traz alguns verbetes do flamenco e suas explicações. Projeções, legendas, narração, tradução em libras, audiodescrição e demonstrações de música e dança trabalham unidas para que todos os públicos tenham a possibilidade de fruir das imagens e informações compartilhadas. Infelizmente, havia apenas uma pessoa com deficiência na platéia, então não obtivemos um retorno maior desse grupo de pessoas para esta nova proposta de acessibilidade integrada à cena. De toda forma, Vocabulário Flamenco aproxima os recursos de acessibilidade comunicacional do público sem deficiência e aponta novas possibilidades entre o artístico e a acessibilidade, criando novos caminhos para esta integração de corporeidades que falamos anteriormente aqui. 

Creio ser esta a principal contribuição de ambas as propostas, esta reflexão sobre as diferentes corporeidades e  como elas podem de entrecruzar e  coexistir num mundo cada vez mais fechado em bolhas de interesse e identificação. A coletividade exige um sair de si e encontrar o outro, uma busca por um outro lugar onde todos/as/es vivam a completude daquilo que entendemos como direitos e  possibilidades de vida feliz, produtiva e harmoniosa. Numa realidade onde as guerras parecem cada vez mais a solução encontrada pelos governantes de imporem suas estritas visões do todo, a busca pelo compartilhar coletivo e o acolhimento das diversidades parece ser uma necessidade da arte em sua constante busca de reflexão e de propor possibilidades e caminhos diversos e não hegemônicos.

Ficha Técnica Uma Mulher Vestida de Sol
Direção coreográfica: Maria Paula Costa Rêgo
Intérpretes criadores: Aldene Nascimento, Bruna Alves, Emerson Dias e Miguel Marinho
Trilha sonora: Grupo Grial
Direção musical/intérprete/poeta: Miguel Marinho
Iluminação: Luciana Raposo
Figurino: Biam Diphá
Cenografia: Grupo Grial
Produção: Maria Paula, Paulo André Leitão e Sofia Santana

Ficha Técnica Vocabulário Flamenco
Concepção: Juliana Prestes e Mimi Aragón
Direção geral: Juliana Prestes
Direção cênica: Juliana Kersting
Produção executiva e gestão de projeto: Uyara Camargo
Intérprete-criadora: Juliana Prestes
Roteiro: Juliana Kersting, Juliana Prestes e Mimi Aragón
Concepção de figurino: Juliana Prestes
Figurino: Flamencura e Lunares
Trilha sonora e músico: Giovani Capeletti
Direção de acessibilidade: Mimi Aragón
Produção de audiodescrição, Libras e legendas: OVNI Acessibilidade Universal
Consultoria de AD: Manoel Negraes
Narração AD: Mimi Aragón e Juliana Prestes
Locução: Denis Gosch
Tradução e interpretação em libras: Celina Xavier
Consultoria de legendagem: Kemi Oshiro
Design e operação de luz: Thais Andrade
Design de projeção: Jana Castoldi
Operação de projeção: Gabriela João
Operação de som: Haik Katchirian
Fotos: Yul Barbosa
Arte gráfica: Juliana Prestes
Assessoria de imprensa: Léo Sant´anna
Projeto Selecionado no Edital Bolsa Retomada Cultural RS da Funarte

segunda-feira, 7 de abril de 2025

ENGRENAGENS DO SAPATEADO

Com este texto sobre Engrenagem, da Cia de Dança Karin Ruschel, termino, com atraso, as reflexões sobre os espetáculos assistidos na edição 2025 do Festival Porto Verão Alegre, evento já tradicional dos verões na capital gaúcha.

Engrenagem traz à cena uma temática que permanece atual no sistema econômico capitalista no qual nossa sociedade se desenvolve: as relações de trabalho e, principalmente de exploração deste trabalho. A luta de classes, entre os operários que mantém a rotina das máquinas e os detentores dos meios de produção que acumulam bens e capital por meio da exploração da mão de obra. Não sei se as discussões sobre o fim da escola 6X1 já estavam em pauta quando o espetáculo estreou, mas a popularidade desta pauta entre a juventude e os trabalhadores do país no momento atual, tornam Engrenagem uma obra atualíssima em sua temática.

Por falar em jovens, é muito interessante ver como o sapateado de Porto Alegre se renova constantemente. Há sempre novas sapateadoras se formando e profissionalizando nas escolas e companhias da cidade. E vou falar assim, no feminino, pois a maioria dos novos talentos são jovens mulheres. Aliás, o elenco de Engrenagem é 100% feminino: das exploradas à exploradora, passando por aquelas que se deixam seduzir e acabam auxiliando na expropriação do tempo de vida de outras trabalhadoras como elas. É interessante ver esta renovação, pois, trazendo pro meu "assado": o flamenco, é algo que não temos conseguido reproduzir. O surgimento de artistas flamencas semiprofissionais ou profissionais entre 16 e 20 anos na capital gaúcha é ínfima. Com tantos anos e núcleos de dança flamenca atuando na cidade, é uma realidade que precisa ser estudada, compreendida e modificada.

De volta ao Engrenagem, embora o auditório do Instituto Goethe seja um local acolhedor, com uma plateia confortável e boa acústica, o formato da sala não contribuiu muito para a projeção que faz parte do espetáculo, isso porque, no fundo da cena, há um canto, resultado do encontro de duas paredes, e uma caixa de som que fica exatamente neste ponto, dificultando a visibilidade da projeção. Outro ponto que percebi foi que o piso do palco parecia escorregadio. Reconheci logo as marcas brancas no palco resultado do encontro das partes metálicas do solado dos sapatos com algum produto utilizado para higienização e embelezamento do assoalho. Infelizmente, essa não é uma realidade apenas do auditório do Goethe. Não há sala de espetáculos em Porto Alegre que disponha de um tablado de madeira apropriado para os sapateados (flamenco, tap, malambo, gaúchos,..).  Por último, destaco a inteligente adaptação feita pelo grupo, que não pode usar máquina de fumaça devido ao sistema de prevenção de incêndios da sala, e modificou a última cena utilizando outro elemento no lugar da fumaça. 

Além das criativas sequências coreográficas e musicais de sapateado, nas quais percebe-se o trabalho de Gabriella Castro, que mistura elementos das danças urbanas com o sapateado, destaco ainda o bonito solo de Fernanda Santos ao final do espetáculo. Uma coreografia instigante e bem executada pela bailarina. Vida longa às sapateadoras de Porto Alegre e que tenhamos tablados que facilitem e amplifiquem nossas potencialidades sem causar preocupações quanto à integridade dos palcos das salas de espetáculo da cidade. 


Ficha Técnica de Engrenagem

Concepção e coreografia: Gabriella Castro
Direção: Gabriella Castro
Elenco: Angélica Marques, Clara Verardi, Gabriella Castro, Fernanda Santos, Giovana Caierão, Isabela Borghetti, Karoline Masiero e Sofia Lilith
Sonorização: Driko Oliveira
Iluminação: Heloísa Bertoli
Produção: Karin Ruschel