terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

HORÁRIOS DAS AULAS REGULARES EM 2015

Os cursos de verão acabaram, o carnaval passou e, depois de duas semanas de descanso, retomo as minhas turmas regulares de flamenco no dia 02 de março. Em 2015, abraço um novo desafio: dar aulas em Novo Hamburgo. Sigo também nas escolas em Canoas e Porto Alegre.

As aulas na Escola La Tablada em Canoas são divididas em três níveis: iniciante (para quem está começando), iniciante 2 (segundo ano) e intermediário. Os alunos podem se inscrever para uma ou duas aulas por semana. A mensalidade para duas vezes na semana é R$ 130,00 e para uma vez é R$ 90,00. As aulas acontecem de segunda a quinta-feira nos seguintes horários:

INICIANTE*
Segundas e Quartas às 19h
Terças e Quintas às 17h

INICIANTE 2
Terças e Quintas às 19h

INTERMEDIÁRIO
Terças e Quintas às 20h

*As turmas de iniciante só começam de fato assim que atingirmos um número mínimo de inscritos para cada horário. Inscrições pelo e-mail: grazi_silveira@hotmail.com

A novidade do ano são as aulas no Estúdio de Danças Juliana Lorenzoni em Novo Hamburgo. Os encontros acontecem aos sábados das 11h30 às 12h30 e são voltados para quem está começando a dançar flamenco. A mensalidade é de R$ 90,00. O ano letivo começa no dia 07 de março. As inscrições para as aulas em Novo Hamburgo são feitas pelo e-mail juliana_lorenzoni@yahoo.com.br

E, por enquanto, sigo também com minhas turmas no Tablado Andaluz em Porto Alegre nas terças e quintas às 12h para Iniciantes e sábados às 14h para Iniciante 2.

Além destes horários, tem sempre espaço na agenda para aulas particulares. Para agendar um horário para aulas individuais, de duplas, trios ou grupos; pedir informações sobre as aulas em Canoas, Porto Alegre ou Novo Hamburgo ou se inscrever para as aulas em Canoas, é só ligar para (51) 8119-8256, mandar um e-mail para grazi_silveira@hotmail.com ou me chamar no Facebook.

Espero todo mundo para um 2015 de muito flamenco!

Foto: Rafael do Canto
Foto: Rafael do Canto
Foto: Rafael do Canto

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

CURSOS DE FEVEREIRO EM CANOAS

O mês de janeiro está acabando, mas ainda dá tempo de começar a dançar flamenco no verão de 2015. Tenho dois cursos programados para acontecer no início de fevereiro na Escola La Tablada em Canoas. Depois, vem carnaval e férias. A. aulas regulares de flamenco em Canoas reiniciam na primeira semana de março.

O primeiro curso acontece de 3 a 5 de fevereiro (terça a quinta) às 19h30 e é voltado para aqueles que querem aprender os primeiros passos nesta dança. É bom trazer um sapato parecido com o das fotos abaixo. A roupa deve ser leve e possibilitar os movimentos de todo o corpo. Nesta aula, trabalhamos os movimentos básicos para mãos, braços e pés. Como o curso é de três dias, cada aula tem 1h30 de duração.

O segundo curso de fevereiro acontece dias antes do feriado de carnaval. De 9 a 12 (de segunda a quinta) de fevereiro também às 19h30, acontece o curso de Técnica de Leque e Mantón. São dois dias para cada elemento e não é preciso ter experiência com o manejo de nenhum deles. É necessário, porém, que as alunas tragam seus próprios mantones e leques, pois não disponho de material para emprestar.

Cada curso custa R$ 90,00. As inscrições são feitas através de uma ficha que deve ser solicitada e enviada antes das datas programadas para o início de cada curso pelo e-mail: grazi_silveira@hotmail.com

Mais informações também pelo telefone (51) 8119-8256. A Escola La Tablada fica na Rua Silva Jardim, 47 - Centro - Canoas. Esta rua é próxima ao viaduto da Avenida Boqueirão e a três quadras da estação Mathias Velho do Trensurb. Mais detalhes num mapa logo aí embaixo. A escola tem salas climatizadas e estacionamento próprio.

Depois de concluídos os cursos de verão, divulgo os horários de 2015 das aulas regulares para as turmas de Iniciante, Iniciante 2 (segundo ano) e Intermediário.

Localização da Escola La Tablada
Exemplo de modelo de sapato flamenco. As cores e modelos variam bastante, mas é um sapato com salto grosso entre 4 e 7 centímetros de altura. Fechado na frente e atrás e sem plataforma. Foto: Blindekol Lab
Dançando por caña com mantón. Foto: Carol Velasques
Registro de uma aula de iniciantes em 2013 na Escola La Tablada. Foto: Danilo Nogueira Gonçalves
Bailando alegrias com leque. Foto: Renata Simmi

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

RETROSPECTIVA 2014

Esta história de retrospectiva do ano feita pelo Facebook me fez pensar no que aconteceu em 2014. Ao que parece, o ano que está terminando foi um ano excelente para a grande maioria das pessoas que conheço real ou virtualmente. O ano foi até legal, mas gosto de pensar naquilo que tornou meu ano mais complicado. Não faço isso para ficar reclamando da vida, mas para mudar aquilo que não está de acordo com o que eu esperava.

Tenho muito que agradecer: tenho saúde, tenho uma família que me apoia, tenho um companheiro para a vida, adotei uma gata fofa, tenho o que comer, onde dormir, onde morar, o que vestir, tenho eventos importantes programados para 2015... enfim, tenho muitas bençãos maravilhosas pelas quais agradeço a Deus diariamente, contudo, não tem como fechar os olhos para o que não está tão legal assim. 2014 foi um ano de muito trabalho, muita correria, muita energia empregada em planos, projetos, pessoas, mas mais um ano que termina com pouco dinheiro, desesperança na humanidade e uma sensação de estar sempre patinando no mesmo lugar. Além disto, foi um ano de grandes tragédias, de reeleição de "Bolsonaros", de ver Lasier Martins ser eleito senador, da morte de muitos ídolos, da epidemia do vírus Ebola e por aí vai.

Vamos começar falando sobre a questão financeira. É muito desestimulante trabalhar, trabalhar e trabalhar e terminar o ano contando o dinheiro para pagar as contas. Sei que isso não é só porque resolvi ser artista. Sim, a arte é desvalorizada enquanto profissão no Brasil, porém a "coisa" não está fácil para ninguém. Vejo gente de várias profissões passando pela mesma situação. Sinto no bolso os preços subindo, as contas crescendo e esta é uma realidade que afeta a todos nós. Sim, eu pretendo continuar sendo artista, pois isto é o que me faz feliz e realizada e continuarei fazendo de conta que não escuto minha mãe dizendo todos os dias que eu deveria fazer concurso público ou voltar a trabalhar com jornalismo... Realmente, não vejo benefício em ser totalmente infeliz com minha profissão somente para ganhar uns trocados a mais ou para ter certeza de quanto vai entrar na conta bancária no fim ou início do mês. O que vejo é que a situação econômica não é promissora para quase ninguém. E isso não é "culpa do PT". Vários países no mundo passam por graves crises econômicas. Chega a ser desesperador ver que a ganância de alguns nos leva a passos largos para um mundo cada vez mais desigual. 

Por falar nisto, não tem nada que me deixe mais descrente nos homens do que andar de carro ou a pé nas ruas por aí. No trânsito, as pessoas demonstram todo seu egoísmo, estupidez e falta de amor ao próximo. Já cansei de agradecer por ter chegado viva e comigo e meu carro inteiros em casa. Tem gente que parece que está sozinha no mundo ou que acha que as suas necessidades são maiores do que as dos outros. Por que as pessoas correm tanto? Cortam a frente dos outros? Atravessam sinais vermelhos? Atropelam tantos animais indefesos de propósito (nem vou entrar neste tema do abandono de animais, pois vou acabar matando alguém)? Por que as pessoas ficam brabas quando alguém para na faixa para o pedestre passar? E qual o motivo das pessoas atravessarem avenidas movimentadas fora da faixa e colocarem suas vidas em risco? Sério, o ser humano é o bicho mais egoísta e inconsequente que existe na face da terra! Possui um grau de estupidez inimaginável! E o trânsito é só um pequeno exemplo de onde demonstramos todo este nosso "potencial" para o desamor, a irresponsabilidade, o egoísmo...

Por último, é totalmente desestimulante ver que muitas das coisas que fazemos ou tentamos fazer não saem do papel por causa dos interesses de alguns poucos que controlam os meios de produção ou tem influência sobre as pessoas que os controlam. É muito irritante ver que projetos bacanas não são colocados em prática simplesmente porque não beneficiam algumas pessoas que são responsáveis pela distribuição das verbas, ou seja, projetos legais que não dão lugar à corrupção. É igualmente chato ver que alguns são premiados porque as pessoas acham que podem tirar algum proveito desta situação. É frustrante perceber que estamos presos nessa teia nojenta de interesses financeiros e/ou midiáticos e que isso entrava a vida de muitas pessoas pelo mundo afora. Sério, esta sensação de estar com as mãos atadas é uma das coisas que mais me deixa pessimista em relação ao futuro. Seria melhor perceber que a situação está ruim, mas vislumbrar possibilidade de mudança, porém, o que vemos é que as coisas agem para que tudo permaneça exatamente como está. Vide os políticos e a inércia com que a sociedade brasileira reage aos desmandos dos nossos "representantes". Se eu não conhecesse algumas pessoas que também se indignam com estas coisas, eu já teria desistido de tudo.

Enfim, tomar consciência do que está errado é o primeiro passo para modificar a minha realidade. Acho que podemos fazer pequenas ações no nosso dia-a-dia para ir transformando este futuro que, até então, apresenta-se negro e sem esperança. Para começar a mudança, vou deixar aí embaixo uns agradecimentos que gostaria de ter feito publicamente em 2014 na ocasião do Prêmio Açorianos para o qual fui indicada, mas não ganhei. Não quero mais ficar com "coisas" entaladas na garganta. Este foi um ano difícil, turbulento e desencorajante, mas espero que o time das pessoas que estão determinadas a mudar toda esta situação que nos envolve se agigante. Minha fé não me deixa pensar de outra forma, portanto, resta-me agradecer por ter chegado até aqui e esperar que todos tenhamos um 2015 melhor e abençoado. Que assim seja!


AGRADECIMENTOS
(versão estendida, pois no meu blog não há limitação de tempo para escrever o que eu penso)

Quero agradecer em primeiro lugar a Deus por ter colocado cada uma das pessoas que citarei a seguir em minha vida.

Obrigada à minha família, em especial meus pais, por apoiarem minha decisão de ser artista mesmo que isto vá contra o destino que eles traçaram para mim. Obrigada família por todo apoio emocional, logístico e financeiro que vocês me dão em todos os aspectos da minha vida.

Agradeço também aos professores que me tornaram a pessoa/artista que sou hoje, dentre eles, a pessoa que incutiu em mim o amor pela dança: Terezinha Campos Figueiredo, a Tia Tê. Obrigada ao mestre Robinson Gambarra pela indicação ao prêmio (sei que estava na lista somente porque tu estavas na comissão julgadora) e por, junto com Andréa Franco, ter acreditado em mim quando ainda era apenas uma boa aluna de flamenco. Agradeço também ao corpo docente do Curso Tecnológico de Dança da Ulbra, professores e colegas da primeira turma do Grupo Experimental de Dança de Porto Alegre, à coreógrafa Maria Waleska van Helden, ao diretor Décio Antunes e ao professor Jorge Venâncio por suas inesquecíveis aulas de história.

Agradeço ainda a influência inspiradora das minhas colegas da Geda Cia de Dança Contemporânea (Fabiane Severo, Stela Menezes e Fernanda Stein), dos meus amigos da Cia de Flamenco Del Puerto (Juliana Prestes, Juliana Kersting, Danielle Zill, Ana Medeiros, Tatiana Flores, Gabriel Matias e Giovani Capeletti) e todo o apoio que recebi e recebo de colegas e amigos dos mais diferentes lugares por onde passei e passo. É muito bom saber que tem muita gente que acredita e "torce" para que sejamos felizes.

Um agradecimento especial aos alunos do Tablado Andaluz e da Escola La Tablada por confiarem seus corpos a mim e por me ensinarem tanto. Agradeço ainda a Antonio Machado, Joana Willadino e Laney Langaro pela fé em meu trabalho.

Por último, um agradecimento especial ao responsável por, pelo menos, 50% da bailaora de flamenco que sou hoje: o músico Giovani Capeletti. Obrigada pela parceria dentro e fora dos palcos e por dividir tão generosamente comigo o teu conhecimento e a tua arte. Que nossa vida seja feliz e repleta de arte! Eu te amo!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

CURSOS DE VERÃO EM CANOAS

Depois deste dezembro mega agitado com direito a viagem com a Geda Cia de Dança Contemporânea para La Plata na Argentina, IV Peña Flamenca da Escola La Tablada e I Festival Flamenco do Tablado Andaluz, finalmente o recesso de fim de ano se aproxima. Tempo necessário para me preparar para os cursos de verão.

Em 2015, os cursos de flamenco em Canoas tem formato diferente. Cada curso dura apenas três eu quatro dias buscando facilitar a vida daqueles que estão de férias neste período do ano. Outra novidade é o valor praticamente promocional dos cursos. Cada um deles custa apenas R$ 90,00. Nos cursos que duram três dias, de segunda a quarta, as aulas tem 1h30 de duração. Os de quatro dias, que vão se segunda à quinta-feira, tem aulas com uma hora de duração.

Os dois cursos de iniciação ao baile flamenco, um em janeiro e outro em fevereiro, são específicos para quer começar a dançar flamenco. Os outros cursos podem ser frequentados por alunos de todos os níveis, desde iniciantes até pessoas mais avançadas. O curso de Ritmos, palmas, palos e compás é teórico, ou seja, não precisa nem saber dançar para se inscrever. Para os cursos de baile, castanholas, mantón e leque cada aluno precisa trazer o material necessário para frequentar as aulas. Infelizmente, não disponho de material para locação. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail grazi_silveira@hotmail.com

É preciso fazer inscrição para os cursos até uma semana antes do início previsto para cada um deles. Os cursos só acontecerão se houver um número mínimo de alunos inscritos. As vagas serão garantidas mediante depósito de 50% do valor do curso. No caso do curso não acontecer por falta de alunos, este valor será integralmente devolvido. As inscrições devem ser feitas somente pelo e-mail grazi_silveira@hotmail.com

Todos os cursos acontecem na Escola La Tablada, que fica na Rua Silva Jardim, 47 - Centro - Canoas. As datas de cada curso estão no cartaz abaixo. Espero vcs!


domingo, 16 de novembro de 2014

IMPRESSÕES SOBRE CONSONANTES

Estou para escrever sobre o espetáculo Consonantes da Cia de Flamenco Del Puerto desde que o vi pela primeira vez (acho que foi lá em junho deste ano). Na verdade, estou em dívida com algumas pessoas para as quais falei que ia escrever sobre o assunto. Vi mais duas temporadas do trabalho depois disto e só agora consegui tempo para escrever algo sobre o que vi e ouvi. O chato é que já ouvi e li várias pessoas falarem sobre ele. Tentarei, contudo, manter-me fiel às minhas impressões.

Quero começar falando o que considero mais importante nesta nova proposta da Del Puerto, que é bem diferente do último espetáculo do grupo, chamado Las Cuatro Esquinas. Consonantes é um espetáculo de flamenco, pois todos os artistas envolvidos neste projeto são especializados nesta área por assim dizer. Já coloco no bolo até o Leonardo Dias, que veio do sapateado americano, mas que já foi infectado com o vírus flamenco há alguns anos e vem evoluindo muito nesta nova, para ele, maneira de expressão artística. Acho importante salientar, pois o espetáculo tem sim uma proposta de cena mais relacionada com a contemporaneidade, mas as coreografias, as músicas, os artistas em cena, tudo é estruturado sob a estética e a estrutura musical do flamenco. O próprio "mote" do espetáculo é muito flamenco, já que fala desta construção conjunta que acontece quando músicos e bailarinos se reúnem para fazer arte. O flamenco é comunitário, digamos, pois um elemento precisa do outro para completar-se. O baile, a guitarra, o cante, as palmas, cada um deles é peça fundamental no quebra-cabeças flamenco. Quando um destes falta, a ausência é sentida por todas as outras peças. E isto fica muito claro em cena quando os artistas vão entrando aos poucos no palco até completar a cena. A única coisa que acho que não tem muita relação com o flamenco é o argumento dos fractais, pois entendo que, em se tratando de flamenco, não são peças iguais que se repetem e criam um todo, mas peças absolutamente diferentes e singulares que se unem para fazer um todo coeso.

Voltando a falar sobre a "estrutura" flamenca, é muito bom, sendo eu também uma artista que estuda e trabalha com flamenco, ver algumas "regras" flamencas sendo quebradas em cena. Nisto, a meu ver, a Cia de Flamenco Del Puerto mostra que está acompanhando a produção flamenca feita por algumas grandes companhias. Para quem quer ver mais, basta procurar por nomes como Eva Yerbabuena, Israel Galván e Rocío Molina e notar que tipo de construção cênica contaminou os flamencos nos espetáculos pensados para palcos de teatros, pois esta atmosfera é bem diferente dos bailes em tablaos, cuevas, bares e ruas. Voltando a Porto Alegre, é muito interessante ver os músicos andando e compondo a cena longe da forma tradicional do flamenco que os deixa sentados lá no fundo do palco sem sair do lugar. Em Consonantes, eles ganham liberdade de movimentação por todo palco, entrando e saindo de cena, ficando de costas para o público, dançando, movendo as muitas cadeiras que formam o cenário, compondo e descompondo a cena, enfim, modificando a estrutura. Neste ponto específico, gosto de salientar uma das cenas mais lindas do espetáculo, sob meu ponto de vista, que é o momento em que o guitarrista caminha entre as cadeiras em silêncio como que procurando o lugar ideal para voltar a tocar. É uma cena muito bonita e muito surpreendente para mim, particularmente, pois jamais pensei em ver o Giovani Capeletti, que para quem não sabe é meu noivo e um tímido de carteirinha, "atuando". Fiquei muito orgulhosa de vê-lo conferir à cena o peso dramático que ela pede.

Sob este aspecto, tenho que citar que toda esta inovação conceitual é possível graças à direção de Denis Gosch. Um espetáculo que deseja quebrar a estrutura de cena tradicional precisa ter um olhar "de fora" sobre aquilo que está acontecendo no palco. O Denis, embora não conheça profundamente os códigos da música e da dança flamenca, fez um excelente trabalho ajudando a Cia de Flamenco Del Puerto a compor as transições entre uma cena e outra. O espetáculo tornou-se assim, não uma sucessão de números musicais e dançantes, mas um espetáculo totalmente unificado que, para mim, só dá lugar ao aplauso quando chega na cena final. Trazer um diretor para olhar para o seu trabalho e unificar as cenas mostra que a Cia de Flamenco Del Puerto atingiu a maturidade necessária para colocar suas propostas mais arrojadas em cena de forma clara e coesa. E por falar em direção e composição de cenas, preciso citar a iluminação primorosa de Leandro Gass, que ajuda a compor e modificar todo o clima do espetáculo. Uma das coisas que acho mais interessante, é ver a cena escura num baile que, flamencamente falando, é catalogado como alegre, que são as cantiñas que abrem o espetáculo, e ver a cena muito iluminada num "ritmo" mais tenso como a liviana/cabal que encerra Consonantes. Normalmente, veríamos o contrário, e esta contradição na luz e até no figurino causam um estranhamento gostoso de sentir.

Por falar de figurino, gosto de quase tudo. As roupas das cantiñas, soleá por bulerias e farruca são realmente muito bonitas, flamencas e contemporâneas ao mesmo tempo. Os figurinos do último número, contudo, não conseguiram provocar em mim a mesma sensação. Acho que não entendi totalmente a proposta de construção dos figurinos dos dois bailarinos. Embora tenha gostado do vestido curto com calça por baixo e tenha entendido a necessidade cênica desta roupa, não posso dizer o mesmo do figurino do bailarino. Simplesmente acho que aqueles madronhos brancos sobre o fundo preto me remetem para um lugar muito distante do flamenco que não tem muito a ver com as outras propostas colocadas em cena. Mas também não chega a comprometer a cena ou coisa assim. As roupas deste último número realmente não foram bem captadas pelo meu olhar. Aliás, acho que o figurino dos músicos também poderia ter ganhado um olhar especial, porém, não chego a ficar incomodada de ver que foram eles mesmos que escolheram suas roupas, ou seja, não tem um figurino específico para cada um deles. Os músicos estão com sua habitual roupa preta e ponto.

Por falar em músicos, tenho que destacar a participação dos cantaores Diego Zarcón e Fernando de Marília. Ver Consonantes com um ou com o outro é ver dois espetáculos diferentes. O Diego Zarcón tem a seu favor um excelente compás (ritmo por assim dizer) para o cante quando se trata de cantar para alguém dançar. É incrível como todas as letras combinam com os remates e chamadas e como tudo fica totalmente bem enquadrado e com a dinâmica certa. Ele realmente prova que conhece muitos palos do flamenco, suas melodias, estruturas e possibilidade de letras e variações. Por outro lado, Fernando de Marília tem uma energia cênica muito interessante para o clima criado em Consonantes, já que ele consegue ser mais reflexivo e até mesmo austero em cena, além de ter um timbre de voz muito bonito. Enfim, cada pessoa contribui com o que tem de melhor e torna o espetáculo diferente. E acho que é disso mesmo que se trata: não é ser melhor ou pior, é ser diferente.

E por falar em diferente, Gabriel Matias conseguiu me surpreender positivamente. O solo dele foi simplesmente arrebatador da primeira vez em que eu vi. Como eu o conheço desde os 12 anos mais ou menos, levei um choque ao vê-lo totalmente maduro e à vontade em cena. Foi emocionante, mas continuo sem entender o porquê daquela venda no meio do solo. Enfim, é uma pena que a soleá por bulerias, ou até mesmo o espetáculo inteiro, já não tenha a mesma energia em cena demonstrada naquela pré-estréia no Teatro Renascença. Creio que é normal que o espetáculo mude ao longo do tempo, porém não pode-se deixar que ele perca momentos e dinâmicas interessantes. Acho que seria um conselho meu aos intérpretes de Consonantes: busquem aquele primeiro dia. Busquem aquelas sensações, aqueles desejos e coloquem tudo aquilo no palco de novo. Sei que não é fácil manter um certo tipo de clima e energia, mas este espetáculo precisa deste tipo de exercício por parte dos artistas envolvidos nele. E por falar em clima, a projeção do início é muito longa. Não precisa ter foto de todos os integrantes do espetáculo projetada em cena com um adjetivo identificando cada um. Somente os conceitos de consonar e de fractais já são suficientes para que o público capte o teor do espetáculo, afinal de contas, estas fotos e palavras já estão no programa web de Consonantes que o público pode acessar em casa sem quebrar a atmosfera austera da cena de início.

Para finalizar, quero expressar minha profunda tristeza em ver quantos problemas técnicos impedem e atrapalham a melhor execução e apresentação de Consonantes. É uma pena que a Cia de Flamenco Del Puerto não possua o equipamento (microfones, captadores, mesas de som, caixas de retorno e etc) necessário para uma proposta como esta. Microfonias, microfones que desgrudam do sapato em meio ao baile, volume baixo da guitarra ou alto demais nos pés/palmas realmente atrapalham a perfeita fruição de um espetáculo de flamenco. Flamenco é uma expressão musical e quem trabalha com flamenco sabe disso. A coreografia, a luz, a movimentação em cena, os silêncios, a mudança de cenário, tudo tem a ver com a música que desejamos fazer naquele determinado momento. Um espetáculo de flamenco precisa, portanto, ser tratado como um espetáculo de música. O som precisa ter tratamento especial. O problema maior é que todo este equipamento custa muito dinheiro e não é qualquer grupo, principalmente, porque a cia em questão não conta com patrocinadores, que consegue manter e construir um patrimônio como este.  Por outro lado, não é possível que o teatro esteja com quatro das sete caixas de retorno queimadas e não avise sobre esta situação para o grupo. Os artistas de flamenco precisam se ouvir. Se um não escuta o outro é impossível compor o todo, fica simplesmente impossível consonar. É realmente uma pena não ouvir direito a flauta tão bem tocada do Leonardo Dias e a guitarra flamenca de raiz do Giovani Capeletti. As composições musicais de Consonantes são muito bonitas. Gosto principalmente das falsetas das cantiñas, da farruca como um todo e da falseta do cabal que gruda na cabeça e fica lá por uma semana mais ou menos.

Enfim, de maneira geral, acho que Consonantes tem muito mais prós do que contras. É uma proposta bem interessante e todos os artistas envolvidos o executam de forma limpa. Dá para ver todo o trabalho técnico, todas as horas de estudo, todos os ensaios. Dá para ver que foram muitas horas de suor, de construção, de trocas, de tentativas, erros e acertos. Percebe-se que foram feitas muitas escolhas e que o trabalho tem possibilidade de crescimento e renovação. Espero, sinceramente, que a Cia de Flamenco Del Puerto consiga resolver os problemas técnicos de Consonantes e que o espetáculo volte à cena em breve.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

AGENDA FLAMENCA DE SETEMBRO EM PORTO ALEGRE

A vida está uma correria louca e ainda não consegui sentar ao computador para escrever sobre o espetáculo Consonantes da Cia de Flamenco Del Puerto, mas o texto vem antes da nova temporada do espetáculo que acontece no final de outubro e início de novembro. Enquanto isso, aproveito o espaço  na agenda para divulgar os eventos flamencos que acontecem nesta e na próxima semana em Porto Alegre.

Vamos começar pelo premiado Las Cuatro Esquinas que volta a cartaz dentro da programação do Porto Alegre Em Cena. As apresentações abrem a turnê nacional do Prêmio Funarte de Dança Klaus Vianna que a companhia porto alegrense ganhou no ano passado. O espetáculo será apresentado na capital gaúcha nos dias 18 e 19 de setembro às 19h no Teatro do Sesc. Os ingressos já estão quase esgotados!

Dia 18, tem também o projeto Flamenco Sem Fronteiras do cantaor Diego Zarcón no Solar Coruja no Centro de Porto Alegre. O show reúne artistas de Porto Alegre e do Rio de Janeiro como os bailaores Eliane Carvalho e Pedro Fernandez e o guitarrista Roberto Monteiro. Os ingressos custam R$ 25,00 e o evento está marcado para às 20h30. O show integra a programação do projeto Flamenqueria.

Dias 19 e 20 de setembro, tem mais uma edição do projeto Algo Más do Tablado Andaluz. Desta vez, a convidada é a bailaora carioca Eliane Carvalho que se apresenta ao lado de Giovani Capeletti, Roberto Monteiro, Pedro Fernandez, Andréa Franco, Gustavo Rosa e Diego Zarcón no Bar Flamenco localizado na Avenida Venância Aires, 556. O show começa a partir das 22h. Informaçõess e reservas pelo telefone: 3311-0336.

Na outra semana, aproveitando a passagem da Cia Antonio Gades por Porto Alegre (apresentação que já está com os ingressos esgotados), a Escola Del Puerto realiza uma masterclass com a bailaora Raquela Soblechero que integra o companhia espanhola. A aula está marcada para dia 25 de setembro às 10h na sede da escola que fica na Avenida Cristóvão Colombo. O encontro tem três horas de duração e custa R$ 140,00. As inscrições devem ser feitas até o dia 22 de setembro.

Mais informações sobre todos os eventos nos flyers abaixo:





segunda-feira, 25 de agosto de 2014

ESPETÁCULO CONSONANTES EM PORTO ALEGRE

Depois de algumas semanas de ausência virtual aqui no blog, retomo as publicações com a divulgação de um evento de flamenco que acontece no próximo fim de semana em Porto Alegre. Volta aos palcos da capital, o espetáculo Consonantes da Cia de Flamenco Del Puerto. É imperdível!

Esta é a primeira temporada do espetáculo que teve sua pré-estréia em junho integrando a programação do projeto Quartas na Dança da Prefeitura de Porto Alegre. Eu estou devendo uma crítica mais completa ao espetáculo, mas deixei para escrever minhas impressões sobre o mesmo depois da primeira temporada, ou seja, semana que vem tem texto.

No palco, os premiados artistas da Cia de Flamenco Del Puerto ao lado do cantaor carioca Diego Zarcón e do sapateador e flautista Leonardo Dias. Os ingressos custam R$ 30,00 para o público em geral e R$ 15,00 para idosos, estudantes e classe artística (todos mediante comprovação) e podem ser adquiridos antecipadamente na sede da Escola e Cia de Flamenco Del Puerto que fica na Av. Cristóvão Colombo, 752. No dia do espetáculo, os ingressos serão vendidos na bilheteria do Teatro Renascença a partir das 19h. Mais informações sobre a temporada de agosto do espetáculo Consonantes abaixo: